Marcas

 

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O segundo filho nasceu.

O primeiro ficou assustado.

A mãe também estava um tanto apreensiva.

E com medo também.

 

O segundo filho nasceu num dia frio.

Um dia frio como nunca fizera.

Madrugada mais fria em 20 anos.

 

O primeiro filho entrou de férias.

Os dias frios só estavam começando.

Mãe e filhos enclausurados dentro de casa.

 

O pai saia para trabalhar muito cedo.

E só voltava na hora que as crianças

já deveriam estar dormindo.

 

Primeiro filho fazia muito barulho

A vizinha de baixo reclamava.

Batia com a vassoura. De modo violento.

 

O segundo filho estava formando as tripas

E no fim da tarde chorava.

 

Primeiro filho insistia em escalar a mãe.

18 kilos no lombo da mãe que tentava dar de mamar ao segundo filho.

 

Primeiro filho despertava algo violento dentro da mãe.

A mãe respirava.

Respirava.

Respirava.

A mãe respigrava.

A mãe resgritava.

A mãe gritava de novo.

Primeiro filho não conseguia parar.

A mãe também não.

 

Primeiro filho ficou seis dias sem ir no banheiro.

E foi com a avó resolver o número dois no hospital.

Começamos a maratona de consultas com novo pediatra.

 

Segunda filha tinha engordado.

35 gramas por dia.

A mãe da segunda ficou aliviada.

Com o primeiro filho não tinha conseguido amamentar.

 

Primeiro filho começou nova medicação.

Causticum e Nujol.

A médica carimbou a primeira receita.

Theo (o primeiro filho) pediu para carimbar a outra.

A médica deixou.

Theo queria carimbar mais.

Mas a consulta acabou.

 

Mãe conversou com a astróloga via whats up:

O primeiro iria continuar dando muito trabalho.

Só cura quando o verão chegar.

 

Mãe se entregou, jogou a toalha no chão.

Aceitou que a servidão agora é total.

Agora é cuidar de criança. Tempo integral.

 

Mãe foi na papelaria.

Irene – segundo filho – no colo.

E Theo agasalhado puxado pela mão.

Theo escolheu o carimbo.

Era com cabo de madeira, nome em caixa alta.

Escolheu também quatro estrelas.

Era inverno ainda, mas começamos a melhorar.

 

DSC_0164 DSC_0163DSC_0148 Carimbo Criança

Gambiarras

A gente também gosta de grudar com fita crepe na parede, mas quando queremos que fique um pouco mais arrumadinho, inventamos um pindurador de papel: um cabide e dois pregadores de roupa. A produção de desenhos do Theo aumentou muito, e é interessante ter, além da porta da geladeira, um jeito de expor o desenho de modo que possamos trocá-lo quando o próximo fica pronto. Eu também aderi, e tenho usado para os trabalhos em progresso.


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Vegano

Quando o Theo crescer um pouquinho mais, vou levá-lo no armazém pra ele enterrar a mão nas sacas de cereal que ficam de boca aberta, expostas no chão da loja. Eita tato bom o da pele mergulhando num mar de grãozinhos! Enquanto isso ele vai curtindo o som do brinquedo mais simples de se fazer em casa: pote de shampoo de hotel com arroz, lentilha e feijão dentro. Os chocalhos cabem perfeitamente na mão do neném, o som é uma delícia e ainda vem com a dança dos grãos dentro do pote. Estes brinquedinhos estão com o Theo desde que ele tem 5 meses e a curtição ainda é total. Para manter o frescor, de vez em quando tiro eles de circulação só pra o Theo achar que são novidade quando reaparecem umas semanas depois. Hoje foi dia de tirar os chocalhos do armário.

IMG_2284 IMG_2282 IMG_2252 IMG_2247Screen shot 2013-01-09 at 10.42.55 PM

Na Itália não há mosquitos?

musquiteiro para quarto sem berço

Queria que Maria Montessori ainda estivesse viva pra contar como faz para adaptar seu quarto sem berço para os trópicos. Na Itália certamente não havia mosquitos. Se já é complicado convencer seu grupo afetivo sobre a decisão do  colchão no chão, o que dizer quando o bebê acorda todo picado depois da primeira noite de verão de sua vida?

Foí aí que minha tia doou um mosquiteiro antigo, tradicional, estruturado com um bordador circular. Funcionou um tempo, mas quando o neném ganhou mobilidade, chegava a ser engraçado a imagem de manhã: o Theo capturado naquela rede branca, e a gente que nem pescador, feito gordo e o magro desengonçados, tentando resgatar o filhote daqueles metros de tule.

Então, depois de queimar mais alguns neurônios, construímos uma estrutura simples: um retângulo feito de ripas de madeira de 1cm e triângulos de compensado da mesma espessura, com preguinhos e cola de madeira para sustentar. Fizemos do tamanho do colchão do Theo. Para fixar, prendedores de papel, barbante e prego na parede. Na quina que fica em balanço, o barbante foi fixado no teto. Para cobrir, metros e metros de tule branco emendados, e um viés azul na borda para arrematar.

Funcionou. Um prendedor de varal ajuda na hora que queremos entrar e sair da cabana.  De vez em quando o Theo ainda fica preso, não chora, é mais engraçado do que trágico, mas a cada dia está mais esperto para se livrar da armadilha. E sei que a estrutura ainda vai dar muito pano pra manga para as brincadeiras de cabana, vamos esperar ele crescer pra ver.

musquiteiro neném entrar e sair

Mutações

Todo mundo me diz pra aproveitar porque passa rápido. Fico pensando se tempo de bebê é diferente, se eles roubam alguns segundos dos minuto, se pulam as horas ímpares ou se turbinam a corda dos ponteiros. Pode ser que sim, vindo de bebês não é de se duvidar, eles tem lá certos poderes mágicos. Vejam o Theo: foi ontem que aprendeu a rastejar, tinha seis meses. Agora nem completou oito e já quer ficar de pé, ensaiando com as pernas os primeiros passos. Poderes mágicos, certamente. Talvez esteja aí a impressão da velocidade do tempo, na estoneante capacidade que os bebês têm de mudar, de aprender, e de mudar de novo. Eles fazem uma revolução por semana, brincando. E aí vem a delícia e a dificuldade de ser pai e mãe, ser capaz de ir mudando junto, nesta velocidade louca. Por isso é que ser mãe cansa: quando a gente estabelece um esquema que funciona para o filhote, duas semanas depois ele já está obsoleto. Aí é botar a cuca pra funcionar e desapegar. Nesta semana que passou foram dias de ir atrás dos materiais certos e botar as mãos à obra. O mais difícil foi manter o neném longe da furadeira.

As últimas mutações aqui de casa:

1. O corredor que já era nossa biblioteca e galeria de arte (o apê tem 62m2 e a gente se vira nos trinta pra fazer caber tudo que a gente ama), é agora também área de exercício. Ganhou uma barra para o Theo brincar, do tamanho da mãozinha dele. Ele segura firme e pode andar que nem caranguejo de um lado pro outro. Foi o projeto mais simples e barato da casa: dois suportes de cortina, uma barra de madeira da loja de material de construções, quatro furos na parede, e barbante pra fixar a barra no suporte. Tá feito.

2.  O trocador estava virando um lugar perigoso: era botar o Theo lá pra ele querer virar, engatinhar e sair rolando. Trocar fralda tinha virado missão impossível. Agora a gente troca o Theo no colchãozinho no chão. Ainda é difícil, mas agora dá pra deixar ele solto e botar a fralda com ele rastejando. O trocador se transformou então em uma mesa e uma estante, numa altura bacana pro Theo se apoiar e praticar suas novas conquistas. O móvel mutante foi desenhado com a ajuda do meu pai, e construído por ele. É tão raro que as teorias que tecemos antes do neném chegar dêem certo na prática, que estamos muito felizes que o Theo tenha adorado a idéia.

Como fazer os móbiles

Está em falta no mercado móbile para bebês pequeninos. Um móbile assim, singelo, que gire ao sabor do vento, na velocidade terna do olhar do bebê, que não precise da mão materna para ser acionado. Meu amor pelos móbiles Montessori foi instantâneo porque eles são simples, bonitos, não fazem barulhos e os nenéns vibram. A paixão veio quando eu decobri que podia fazer em casa. Segue os tutoriais:

1. Munari Móbile – bebês de duas as seis semanas

(desenhado pelo arquiteto/designer Bruno Munari. Pra quem nunca ouviu falar, a Cosac e Naify editou um livro dele para crianças que é uma jóia: Na Noite Escura. O livro tem buraco, transparências, desenhos lindos e muito espaço vazio para a imaginação ocupar.

O passo a passo está no site Little Red Farm.

Os materiais:

A esfera eu comprei de plástico transparente, são duas metades que abrem pra você botar uma foto ou qualquer bobagem dentro, e já tem alcinha para pendurar. Eu achei na Caçula do Saara (RJ), mas na 25 de março em sampa deve ter também.

As formas geométricas eu fiz de cartolina preta e branco, mas tive que botar um papel cartão sanduichado para ficarem mais pesadas e balancearem a esfera.

As hastes eu comprei em loja de material de construção que vende madeira. Comprei um pedaço de um metro e meio e cortei no tamanho certo. Usei spray branco e preto para pintar. Na haste bicolor usei fita isolante, parti ela em dois no sentido do comprimento e enrolei na haste branca.

2. Gobbi

Tentei, mas não descobri a origem do nome Gobbi. São bolas de feltro da mesma cor em gradação de tonalidade. Eu achei mais simples pendurar direto uns novelos de linha que comprei no armarinho. Deu certo e foi a maior paixão que Theo já teve nos seus 5 meses de vida. É legal pendurar o móbile baixo, de modo que quando o bebê movimente descordenadamente as mãos, elas batam nas esferas e movimentem o móbile. Aí é o ápice da felicidade. Agradeço por alguns almoços tranquilos enquanto ele descobria a cor azul.

3. Octaedros

Passo a passo e explicação maravilhosa no site Little Farm. O vídeo abaixo mostra bem a concentração do Theo se divertindo com ele. É bem fácil de fazer, cartolina metálica na papelaria, tesoura, cola e este molde para cortar os seus octaedros, um papel carbono pra passar para a cartolina vai bem.