Passe Livre

Uma das memórias mais legais que tenho em relação ao quarto Montessori, foi quando o Theo aprendeu a engatinhar e começou a ir sozinho para o nosso quarto depois de acordar. Cena de sonho ver um nenenzinho chegar engatinhando na porta do seu quarto, com o olho brilhando de satisfação de ter trilhado o caminho todo até ali sozinho. Mas aí chegou o inverno e começamos a fechar a porta do quarto contra o frio. Para ganhar sua liberdade ele começou a ter que chorar. Depois aprendeu a bater na porta, e era bonitinho também ouvir o toc toc toc na madeira de manhãzinha. Mas agora chegamos numa solução muito mais bacana: uma corda com argola na ponta que funciona como um prolongador de maçaneta. O Theo aprendeu a usar instintivamente o aparato e agora sai do quarto todo metido por ser dono do próprio nariz.

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Vegano

Quando o Theo crescer um pouquinho mais, vou levá-lo no armazém pra ele enterrar a mão nas sacas de cereal que ficam de boca aberta, expostas no chão da loja. Eita tato bom o da pele mergulhando num mar de grãozinhos! Enquanto isso ele vai curtindo o som do brinquedo mais simples de se fazer em casa: pote de shampoo de hotel com arroz, lentilha e feijão dentro. Os chocalhos cabem perfeitamente na mão do neném, o som é uma delícia e ainda vem com a dança dos grãos dentro do pote. Estes brinquedinhos estão com o Theo desde que ele tem 5 meses e a curtição ainda é total. Para manter o frescor, de vez em quando tiro eles de circulação só pra o Theo achar que são novidade quando reaparecem umas semanas depois. Hoje foi dia de tirar os chocalhos do armário.

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Matéria-Prima

Se tem um presente que eu gosto de ganhar é matéria-prima para que eu mesma  possa construir o presente. A sensação de inventar alguma coisa que não existia antes é um vício delicioso e é para estes momentos criativos que eu vivo todos os outros. Ter um filho é o ápice destes momentos: inventar gente, uau! É mesmo algo fantástico. Mas quando o neném ainda é pequeno, todas as suas outras atividades criativas vão para o ralo. Seu tempo livre reduz drasticamente e quando se está junto com o neném, não dá para manusear facas, estiletes, tesouras, cola, papel, prego, martelo, nada. Tudo o neném quer enfiar a mão, quer botar na boca, quer participar. Por isso que não posso descrever a felicidade quando ganhei este presente do nosso amigo Fábio. Um kit com lacres, dobradiças e serra para fazer objetos com o lixo reciclável. Foi a primeira vez que consegui construir alguma coisa junto com o Theo. Foram duas horas maravilhosas, nós dois concentrados na tarefa de transformar uma caixa vazia de fralda Pampers em algo mais interessante. Como o Theo está na fase de encaixar coisas, obsessivo em enfiar objetos em qualquer buraquinho que aparece na frente, fomos abrindo círculos e quadrados na caixa. A serra que vem no kit é de plástico, e só faz mal ao papelão. Daí viramos a caixa do avesso e fomos fixando o que virou piso, telhado e paredes. Aha! Uma casa, cheia de buracos, com telhado reversível para tirar tudo que foi arremessado dentro. Um pouquinho de desenho e tá feito o brinquedo da semana. Quando o Theo enjoar a gente desmancha e faz outro, todos os encaixes e fixadores do kit são reversíveis, portanto, podem ser usados, montados e desmontados quantas vezes a sua imaginaçnao permitir. Já vejo carros, robôs, bonecos e cidades vindo por aí. Obrigada Fábio por este presente infinito.

Porta e janela abrem e viram buracos para jogar objetos dentro.

Teto solar para tirar tudo de dentro e começar tudo de novo.

No site da makedo tem uma loja online, eles entregam no Brasil e também uma galeria de fotos inspiracional, na qual consumidores do mundo todo compartilham sua criação. Vale muito a pena.

Na Itália não há mosquitos?

musquiteiro para quarto sem berço

Queria que Maria Montessori ainda estivesse viva pra contar como faz para adaptar seu quarto sem berço para os trópicos. Na Itália certamente não havia mosquitos. Se já é complicado convencer seu grupo afetivo sobre a decisão do  colchão no chão, o que dizer quando o bebê acorda todo picado depois da primeira noite de verão de sua vida?

Foí aí que minha tia doou um mosquiteiro antigo, tradicional, estruturado com um bordador circular. Funcionou um tempo, mas quando o neném ganhou mobilidade, chegava a ser engraçado a imagem de manhã: o Theo capturado naquela rede branca, e a gente que nem pescador, feito gordo e o magro desengonçados, tentando resgatar o filhote daqueles metros de tule.

Então, depois de queimar mais alguns neurônios, construímos uma estrutura simples: um retângulo feito de ripas de madeira de 1cm e triângulos de compensado da mesma espessura, com preguinhos e cola de madeira para sustentar. Fizemos do tamanho do colchão do Theo. Para fixar, prendedores de papel, barbante e prego na parede. Na quina que fica em balanço, o barbante foi fixado no teto. Para cobrir, metros e metros de tule branco emendados, e um viés azul na borda para arrematar.

Funcionou. Um prendedor de varal ajuda na hora que queremos entrar e sair da cabana.  De vez em quando o Theo ainda fica preso, não chora, é mais engraçado do que trágico, mas a cada dia está mais esperto para se livrar da armadilha. E sei que a estrutura ainda vai dar muito pano pra manga para as brincadeiras de cabana, vamos esperar ele crescer pra ver.

musquiteiro neném entrar e sair

Como fazer os móbiles

Está em falta no mercado móbile para bebês pequeninos. Um móbile assim, singelo, que gire ao sabor do vento, na velocidade terna do olhar do bebê, que não precise da mão materna para ser acionado. Meu amor pelos móbiles Montessori foi instantâneo porque eles são simples, bonitos, não fazem barulhos e os nenéns vibram. A paixão veio quando eu decobri que podia fazer em casa. Segue os tutoriais:

1. Munari Móbile – bebês de duas as seis semanas

(desenhado pelo arquiteto/designer Bruno Munari. Pra quem nunca ouviu falar, a Cosac e Naify editou um livro dele para crianças que é uma jóia: Na Noite Escura. O livro tem buraco, transparências, desenhos lindos e muito espaço vazio para a imaginação ocupar.

O passo a passo está no site Little Red Farm.

Os materiais:

A esfera eu comprei de plástico transparente, são duas metades que abrem pra você botar uma foto ou qualquer bobagem dentro, e já tem alcinha para pendurar. Eu achei na Caçula do Saara (RJ), mas na 25 de março em sampa deve ter também.

As formas geométricas eu fiz de cartolina preta e branco, mas tive que botar um papel cartão sanduichado para ficarem mais pesadas e balancearem a esfera.

As hastes eu comprei em loja de material de construção que vende madeira. Comprei um pedaço de um metro e meio e cortei no tamanho certo. Usei spray branco e preto para pintar. Na haste bicolor usei fita isolante, parti ela em dois no sentido do comprimento e enrolei na haste branca.

2. Gobbi

Tentei, mas não descobri a origem do nome Gobbi. São bolas de feltro da mesma cor em gradação de tonalidade. Eu achei mais simples pendurar direto uns novelos de linha que comprei no armarinho. Deu certo e foi a maior paixão que Theo já teve nos seus 5 meses de vida. É legal pendurar o móbile baixo, de modo que quando o bebê movimente descordenadamente as mãos, elas batam nas esferas e movimentem o móbile. Aí é o ápice da felicidade. Agradeço por alguns almoços tranquilos enquanto ele descobria a cor azul.

3. Octaedros

Passo a passo e explicação maravilhosa no site Little Farm. O vídeo abaixo mostra bem a concentração do Theo se divertindo com ele. É bem fácil de fazer, cartolina metálica na papelaria, tesoura, cola e este molde para cortar os seus octaedros, um papel carbono pra passar para a cartolina vai bem.